SEGREDOS DO RAJASTÃO - ÍNDIA,UM MUNDO À PARTE

Palácio em Jaipur, Índia
SEGREDOS DO RAJASTÃO - ÍNDIA,UM MUNDO À PARTE

A Índia é um "mundo" a parte... O truque é aceitar a Índia como ela é, sem qualquer restrição ou preconceito: então a Índia nos acolhe, nos abraça, nos emociona e nos faz querer voltar. A Índia é o país com a mais longa e contínua tradição espiritual no mundo. O Sanatana Dharma é a mais antiga religião, os Vedas são as mais antigas escrituras espirituais e o yoga a mais antiga prática espiritual para a realização de Deus. Como a imortalidade da alma, a força vital espiritual da Índia é constante, eterna e imperecível. Repleta de tesouros espirituais, a Índia hoje também é capaz de provar seu valor e coragem. Costuma-se dizer que cada Estado da Índia é um país, tal a diversidade cultural e paisagística de toda a Índia. Começamos a viagem em Delhi de onde seguiremos rumo a Agra para conhecer o monumento que simboliza a Índia: o Taj Mahal, sem dúvida, um dos pontos altos da nossa viagem. Seguimos então para o fascinante estado do Rajastão, onde a aridez do deserto de Thar contrasta com a exuberância das roupas, turbantes e joias usadas por seus habitantes. Nossa primeira parada será em Jaipur, a cidade cor de rosa, capital do Rajastão. Continuamos pelo deserto em direção a Bikaner, local onde passam as caravanas que cortam o deserto. A próxima parada será Jaisalmer, uma cidade forte que nos remete aos heroicos e românticos tempos dos Marajás. E a viagem pelo deserto continua, até chegarmos a Jodhpur com seu lindo forte palácio, o Mehrangarh. No dia seguinte conheceremos também Ranakpur, um dos mais lindos templos da Índia. Finalmente chegamos à charmosa Udaipur de onde voaremos para Mumbai para conhecer a maior cidade da Índia.

Maravilhas do Rajastão


Fonte:http://www.indoasiatours.com.br/maravilhas-do-rajastao.html

A Índia pode ser considerada um dos países com a maior diversidade cultural do mundo. Seu povo é composto por hindus, muçulmanos, cristãos, budistas, além de jainistas, judeus, zoroastristas, entre outros. Essa diversidade oferece uma riqueza histórica, cultural e arquitetônica única no mundo, que tem o poder de deslumbrar seus visitantes. A Índia é um país extremamente religioso e por isso é um dos destinos que mais recebem pessoas em uma busca espiritual. Nas ruas da capital, as vacas contrastam com os edifícios recém-construídos. Imagens de deuses, como Brahma, Shiva e Vishnu, segundo o hinduísmo, responsáveis para a formação do mundo como é hoje, além de Ganesha e o Krishna são facilmente encontradas pelas ruas. O trânsito caótico, colorido pelos peculiares rickshaws, força você a mergulhar na singularidade e na complexidade da Índia.

Roteiro


Vamos revelar os segredos de um dos mais fascinantes estados da Índia, o Rajastão. O Rajastão é dominado pelo passado, pois este é um estado feudal com uma população maioritariamente rural. Vêm daqui a maior parte das imagens e paisagens da Índia que guardamos no nosso imaginário. Camelos e elefantes, desertos e palácios, fortes e mulheres com seus saris coloridos e jóias. Percorrer por terra pequenas cidades e aldeias, visitando alguns palácios dos antigos marajás, muitos hoje convertidos em hotéis.

Rajastão, a Índia que você vê na TV


Um país enorme e multicultural. É difícil reduzir a Índia a alguns poucos e simples estereótipos. Já passamos por vilas budistasmontanhas nevadaspraias de clima tropical e metrópoles cosmopolitas. Todos estes lugares estrapolaram os adjetivos usados pelo senso comum para definir a terra das especiarias.
Sim, ela é cheia, bagunçada e barulhenta, mas também colorida, espiritual, rica em sabores e aromas. Em todos os lugares fomos surpreendidos por peculiaridades locais que em muito diferiam da ideia que nossas mentes ocidentais tinham do subcontinente.
Mas, se estereótipos nunca são totalmente verdadeiros, nem totalmente mentirosos, onde estava então aquela Índia que esperávamos encontrar desde que chegamos ao país? Onde estavam os elefantes e camelos, as mulheres que desfilam em seus saaris coloridos, as barraquinhas de rua que vendem temperos e tecidos, os encantadores de serpente, os palácios dos marajás, o deserto de clima quente o ano inteiro?



Jaipur, Índia
Não estavam por completo nem nas geladas montanhas do Himalaia, nem na ocidental Chandigarh ou na moderna Mumbai. O mais perto do estereótipo de Índia que você conhece por meio das telas da TV está no estado do Rajastão.
Elefantes do Rajastão, na Índia
Cinco meses na Índia e eu ainda não sabia onde estavam os elefantes.
Não é à toa que a região é uma das preferidas dos diretores de cinema para retratar o país. Talvez você já tenha assistido o filme 007 contra Octopussy ou se lembre da novela Caminho das Índias, de Glória Perez. O que você viu ali não é a Índia por completo, é o Rajastão. Tanto, que o nome Juliana Paes não é tão estranho aos ouvidos dos vendedores de Jaipur.
Localizado no deserto do Thar e na fronteira com o Paquistão, o estado é famoso por ser casa dos Marajás e um dos destinos mais procurados por turistas estrangeiros em busca de belas paisagens, construções e da colorida cultura indiana.

encantadores de serperte na indiaAs principais cidades turísticas do Rajastão:

Jaipur: Capital do estado, Jaipur é também conhecida como The Pink City, por causa da cor dos prédios da cidade. Algumas das principais atrações do estado estão localizadas nas redondezas, como o Amber Fort. Aqui também é o lugar onde você vai encontrar as melhores pechinchas de souvenirs para levar para casa. Reserve dois dias para conhecer a cidade.
Jaipur, Índia
Udaipur: Conhecida como The Lake City, ou a Veneza do Oriente, Udaipur é a cidade mais romântica da Índia. Construída à beira de três lagos, possuí um belíssimo pôr do sol e uma atmosfera meio hippie, cheia de turistas e ruas estranhamente limpas e calmas (para os padrões indianos, claro). Dois dias também bastam para conhecer a cidade, mas tem quem deseje ficar mais.
Jodhpur: A Cidade Azul ganhou este apelido por ter quase todas as construções desta cor, o que dá um belo efeito quando se observa a cidade do alto. A principal atração do lugar é o forte Mehrangarh, construído no século 16 e localizado no alto de uma colina. Também merece uma visita o mercado de rua da cidade, um dos mais incríveis da Índia.
Mercado de rua em Jodhpur
Jaisalmer: Um dos destinos turísticos mais procurados do Rajastão, Jaisalmer, a Cidade Dourada, fica no meio do deserto do Thar. Lá é possível fazer safári de camelo, assistir o pôr do sol e até mesmo pernoitar em uma tenda no deserto. Há também templos, museus e outro forte, construído em 1156.
Safari de Camelo no Deserto de Thar

Natália Becattini,mineira de Belo Horizonte-Minas Gerais


Jaisalmer, a cidade dourada da Índia

Do alto, Jaisalmer se confunde com as areias do deserto. Não é sem motivo que a cidade ganhou como apelido a cor que pinta as paredes das casas – no Rajastão das vilas coloridas, Jaisalmer é a cidade dourada.
Localizada no deserto do Thar, Jaisalmer é um dos principais destinos turísticos do Rajastão. A explicação toma conta do horizonte da cidade: o forte. É verdade que não faltam fortes nessa região da Índia.
Jaipur tem o Forte Amber e Jodpur também tem o seu, mas o gigante de Jaisalmer, um dos maiores do mundo, tem atrativos diferentes. Ao contrário dos outros, esse forte ainda é moradia para boa parte da população da cidade.

Vista do forte de Jaisalmer
Há 800 anos Jaisalmer ganhou importância como rota de camelos. Era por ali que fluía o comercio entre o Oriente Médio, a África, a Europa e a Índia. Parada que só deixou de ser obrigatória com a abertura do porto de Mumbai e o começo das grandes navegações. Foi assim que Jaisalmer caiu no esquecimento.
Forte de Jaisalmer - Rajastão
Até chegar o turismo. Hoje o forte está novamente lotado e atrai pessoas de todas as partes do mundo. Restaurantes, lojas de souvenirs, vacas e tuk-tuks estão dentro da imensa estrutura, um conjunto de ruelas e becos onde é fácil se perder. Não que isso seja exatamente um problema.
Hotéis de luxo também estão ali, uma ocupação que pegou o forte desprevenido. Parte da estrutura milenar já ruiu, problema que gerou esforços para evitar que Jaisalmer perca sua maior atração.
Ao contrário dos outros fortes do Rajastão, você não precisa pagar para entrar. O ingresso só é cobrado para quem quiser entrar no Palácio do Marajá e no museu que fica dentro do forte, o que é dispensável. A beleza do forte de Jaisalmer está nas ruelas e nas casas da cor de areia.
Família em Jaisalmer, Índia
Os camelos voltaram a ser personagens importantes da região, não mais por causa do transporte de especiarias, mas de turistas: o safári de camelo é programa obrigatório para todos os turistas que visitam Jaisalmer.
Safari de Camelo no Deserto de Thar

Informações turísticas sobre Jaisalmer

Onde se hospedar em Jaisalmer
A cidade é pequena, mas quanto mais perto do forte você ficar, melhor. Há hotéis dentro do forte, mas alguns guias de viagem (incluindo o Lonely Planet) levantam o ponto da preservação do local. Hospedar-se ali não é considerado sustentável.  Veja uma lista de opções de hospedagem em Jaisalmer.
Quanto tempo ficar
Um dia para ver a cidade e outro para fazer o safári de camelo. Ou muitos outros, já que é possível ficar até 20 dias explorando o deserto. Basta querer (e pagar por isso).
De lá ir para…
Se Jaisalmer for sua primeira parada no Rajastão, é melhor seguir para Jodhpur, que fica a 5 horas e 200 rúpias (R$ 7) de distância via ônibus. Outra saída é seguir para Delhi e de lá continuar a viagem. O trem demora cerca de 18 horas para fazer o percurso.
Camelos em Jaisalmer, Índia


Read more: http://www.360meridianos.com/2012/03/jaisalmer-cidade-dourada.html#ixzz3vYZrjcoj

Jaipur, a cidade rosa do Rajastão


Elefantes, encantadores de serpentes e palácios onde moram marajás. Com cerca de 3 milhões de habitantes, Jaipur tem tudo de melhor que a Índia pode oferecer. E o que há de pior também: é caótica, confusa, suja e lotada. E olha que, com ruas retas e dividida em setores, foi a primeira cidade planejada da Índia.
Chegamos em Jaipur pela rota turística tradicional, depois de cinco horas dentro de um trem que partiu de Nova Delhi. Porta de entrada para o Rajastão, Jaipur é conhecida como a cidade rosa. É que em 1876 o Marajá Sawai Ram Singh ordenou que toda a cidade fosse pintada dessa  cor. Tudo por conta da visita do Príncipe Albert, do Reino Unido, império que colonizava o país. A moda pegou e até hoje Jaipur tem muitas construções assim, a começar pelos portões de entrada do centro histórico.

Portão de Jaipur, Índia
Portão de Jaipur, Índia
O mais conhecido cartão-postal da cidade também é rosa. É o Hawa Mahal, nome que significa “Palácio dos Ventos”. Com quase 1000 janelas, a construção era parte do Palácio Real, outro importante ponto turístico de Jaipur.
Mas qual o motivo de tanta janela? Bem, o palácio foi construído para que as mulheres da família do Marajá pudessem observar a cidade sem serem vistas. Ou você acha que elas podiam ficar de bobeira nas ruas? A prática de esconder as mulheres dos homens tem até nome: purdah – e era muito comum na região.
Palácio em Jaipur, Índia
Naty e Lu em frente ao Hawa Mahal
Ali perto fica o Jantar Mantar, um observatório astronômico construído entre 1727 e 1734 e que é capaz de medir o tempo, prever eclipses, seguir a rota de planetas e mostrar para o casal Bahuan e Maya que a sorte deles estava escrita nas estrelas, pelo menos de acordo com a Glória Perez. É que ali foram gravadas algumas cenas românticas da novela Caminho das Índias.
Jaipur, Índia
Do Jantar Matar, uma corrida de tuk-tuk (lembre-se de barganhar o preço) vai te levar até o Albert Museum, que reúne uma coleção de artefatos que contam parte da história do Rajastão e até múmias egípcias. A praça do museu é um lugar bonito, ótima parada para descansar durante as longas caminhadas pelas ruas de Jaipur.
Mas a grande atração de Jaipur é mesmo o Amber Fort, que fica a 11 quilômetros do centro da cidade. Para chegar até lá os turistas têm duas opções: ou gastar saliva para combinar um preço justo com um motorista de tuk-tuk (algo em torno de 300 rúpias, ou R$ 11, pela viagem de ida e a de volta) ou então pegar um ônibus local, que custa 8 rúpias (R$ 0,30) e faz o percurso em 25 minutos. É claro que nós, provavelmente os estrangeiros com o orçamento de viagem mais apertado da história da Índia, escolhemos a segunda opção.
Ambar Fort, Jaipur, Índia
O que é o Amber Fort? Um cenário exôtico e diferente para a maioria dos ocidentais, menos para os fãs de novelas, que na certa já viram esse lugar antes: Jaipur também foi uma das principais locações da novela Caminho das Índias e o Amber forte era a cereja do bolo (ou seria a massala do paneer?).
Foi ali que Bahuan e Maya se conheceram. Logo no primeiro capítulo o Bahuan chega, com mala e tudo, na porta do Forte, onde acontecia o Festival dos Elefantes. Não sou muito noveleiro, mas pela cena parece que o Bahuan meio que mora ali, o que faria dele um marajá, não um dalit, mas vamos aceitar a licença poética da novela…
Mas se você não curte novela, sem problemas. Afinal há muitos motivos para gostar do Amber Fort. É impossível não se impressionar com a grandiosidade do prédio, construído em 1592. Gastamos quase um dia inteiro lá.
Amber Fort, em Jaipur
Eu e Naty no Amber Fort
Está com tempo de sobra? Então aproveite outra atrações turísticas, como Forte de Nahargarh, que pode ser visto de qualquer ponto do centro da cidade e tem uma das melhores vistas de Jaipur, ou ainda Jal Mahal, um palácio que fica numa ilha no meio de uma lago. Ahhh, e tem elefantes, camelos, serpentes… enfim, tudo que você esperava ver na Índia.
Jaipur, Índia
Amber Fort

Informações turísticas sobre Jaipur

Como chegar
Jaipur está a 5 horas de trem de Nova Delhi e o preço da passagem varia de acordo com a classe escolhida pelo viajante. A sleeper (a mais barata) custa cerca de 170 rúpias (R$ 6). Saiba como viajar de trem pela Índia aqui.
Também é possível chegar até lá de ônibus (em torno de 6 horas de viagem e 400 rúpias, ou R$ 14, a menos no bolso) e ainda em menos de uma hora, de avião.
Onde Ficar
A maior parte dos hotéis e restaurantes fica na MI Road. Escolha um nessa região. Para te ajudar na tarefa, não deixe de ler o texto com dicas de hospedagem em Jaipur
Jaipur, Índia
Quantos dias
Uma noite e dois dias inteiros são suficientes para ver todos os pontos importantes da cidade. Duas noites e três dias permitem uma visita menos corrida. Mais do que isso é exagero – Jaipur é ótima para visitar, mas não muito agradável para passar mais tempo.
Aonde ir
A rota tradicional continua por Udaipur, conhecida como a cidade dos lagos. Foi essa nossa escolha:  embarcamos numa viagem de 10 horas até outra importante cidade turística do Rajastão.
Comércio em Jaipur, Índia


Jodhpur, a cidade azul do Rajastão

Como de costume, nossa primeira atividade em Jodhpur foi brigar com motoristas de tuk-tuk até conseguir um que topasse nos deixar no lugar aonde queríamos ir por um preço no mínimo justo. Na Índia, preferimos viajar sem reserva de hotel, pois parece mais fácil conseguir barganhas em quartos perambulando pelas ruas do que procurando na internet.
Por isso, sempre escolhemos um ponto da cidade que pareça ter muita oferta de quartos e restaurantes e pedimos para os nossos queridos tuk-tuk drivers nos levarem até lá. O problema é que eles querem por que querem que a gente fique nos hotéis que pagam comissão para eles – e consequentemente cobram mais da gente. Por isso é sempre uma briga.

Vista de Jodhpur, Índia
No caso de Jodhpur, queríamos descer na Torre do Relógio. Pouco sabíamos do lugar além do fato de que há muitas guest houses marcadas no mapa em volta dele. O motorista brigou, parou na porta de um hotel, disse que não era possível chegar na tal torre de tuk-tuk (eles falam muito isso quando não querem te levar a algum lugar. Não acredite), mas por fim conseguimos descer lá.
Torre do Relógio de Jodhpur
Não demorou nem dois minutos para percebemos que tínhamos escolhido o lugar certo. Eu já bati na tecla de que o Rajastão é tudo que o turista espera encontrar na Índia. Em Jodhpur não tem camelos, elefantes ou encantadores de serpentes, mas todo o caos está bem ali, nos arredores da torre do relógio. Um caos encantador, acredite!
Torre de Jodhpur, Índia
Em volta da construção de ares ingleses, um mercado vibrante e colorido funciona de segunda à segunda. De roupas a especiarias, de incenso a bijuterias, brinquedos e frutas, tudo é vendido ali, entre os gritos dos comerciantes, bicicletas, tuk-tuks, vacas, cachorros, compradores e turistas.
Mercado de rua em Jodhpur
Se você estiver por ali, aproveite para saborear talvez um dos melhores Makhania lassi – uma bebida feita de manteiga, iogurte e açafrão – de toda a Índia (o Lonely Planet disse e o Rafa confirma). A lojinha é modesta e fica ao lado de uma das entradas principais do mercado, mas se gaba de produzir as bebidas que ficaram famosas mundialmente. Ao redor da torre, existem outras lojas de lassi, mas se você faz questão de provar o original, o lugar é esse aqui:
Loja de lassi em Jodhpur, Índia
Loja de lassi em Jodhpur, Índia

O Forte de Jodhpur

Principal atração da cidade, o Forte Mehrangarh se ergue de forma imponente sobre toda a região, oferecendo uma vista incrível, tanto durante o dia quanto à noite, quando as luzes se acendem por algumas horas.
Forte de Jodhpur, na Índia
A construção está localizada cerca de 120 metros acima das casas e é uma das mais impressionantes de todo o Rajastão. Para entrar é preciso pagar uma taxa de 300 rúpias (R$11), incluindo permissão para tirar fotos e audioguide. Lá do alto, é possível ter as melhores vistas de Jodhpur e entender porque a cidade recebe o título de Blue City.
Forte de Jodhpur, Índia

Jodhpur, na Índia

Outras Atrações

A cerca de 5 minutos de caminhada do forte está o Jaswant Thada, um memorial construído em homenagem ao Marajá Jaswant Singh II. Feito de mármore branco e cercado por um tranquilo jardim e por ótimas vistas da cidade, o lugar vale uma visita apenas se você já está por ali mesmo. A entrada custa 30 rúpias (RS1,10).
O Umaid Bhawan Palace, localizado 3km ao sul da cidade, funciona como hotel, museu e residência do Marajá. O museu (50 rúpias – R$1,80), exibe fotos e objetos de decoração do palácio. A visita não é tão interessante, mas pode ser um bom passeio se você tem mais dias na cidade e não sabe o que fazer com eles.
Artista de rua em Jodhpur, Índia

Informações sobre Jodhpur

Como chegar
Há ônibus para Jodhpur saindo de todas as principais cidades do Rajastão e também de Delhi. Para uma viagem mais confortável (mas nem tanto assim), é possível agendar lugares em ônibus sleeper e sitter de agências privadas. Partindo de Udaipur, pagamos 170 rúpias (R$6) e seguimos para Jaisalmer.
Quantos dias ficar
Com uma noite e dois dias é possível ver tudo sem correria.
Onde ficar em Jodhpur
A região da Torre do Relógio tem várias opções de hotéis e restaurantes. Fique nessa área. Veja uma lista com opções de hospedagem aqui.


Read more: http://www.360meridianos.com/2012/03/jodhpur-cidade-azul-rajastao.html#ixzz3vYbHGSIg



Rajastão: um começo - India




Quando perguntamos à nossa amiga Vy – legítima indiana de Calcutá – onde seria o lugar mais interessante para levar tia Fá e minha mãe para um tour de quinze dias pelo país ela nem pestanejou: “vocês tem que ir para o Rajastão! É o lugar da India para descobrir as cores, cheiros e belezas que o país pode oferecer em quinze dias”. Não é a toa que ao lado de Agra e New Delhi é o roteiro mais visitado do país.

Templo de Ranakpur.
Além de ser a opção indicada por nossa amiga, após termos percorrido boa parte do país em uma cruzada sem fim por trens, tuk-tuks, ônibus e até canoas, o estado dos antigos Rajas com sua nobreza pomposa, palácios e requinte nos pareceu uma excelente escolha para finalizar uma jornada de pouco menos de um mês e meio no subcontinente.

Mulheres atrás de um caminhão. (Foto Tia Fá)
Com isso em mente, reservamos todas as passagens de trem possíveis para conectar as cidades a serem visitadas (mais uma vez a dica é se cadastrar o quanto antes no Cleartrip para não ter que enfrentar as filas de filme de terror das estações) e pegamos estrada.

Palácio de Udaipur visto do lago.
Basicamente, o tour que normalmente se faz por este estado indiano contempla as cidades históricas de Jaipur, Udaipur, Pushkar, Johdpur e Jaisalmer. Como não haveria tempo suficiente para o circuito completo acabamos “cortando” a última cidade e deixamos de conhecer os palácios do deserto. Fica para a próxima vez...

A comida é genial, especialmente as mais picantes...
O estado do Rajastão foi formado pela junção de vários estados independentes controlados pelos Rajas – o rei local e sua família de nobres. 
Mulher observa o lago de um dos Havelis em Udaipur.
Quando a Índia se unificou, expulsando os colonialistas ingleses, o novo governo central fez um acordo com as famílias reais de cada um dos feudos para que o território fosse anexado ao país.

Um dos muitos antigos palácios (havelis) em Udaipur.
O problema é que esse acordo foi garantido pela manutenção dos títulos (polpudos salários mensais) e boa parte do patrimônio (basicamente a maior parte das terras férteis) aos nobres, formando assim uma classe na sociedade que materializa perfeitamente o que nós brasileiros conhecemos como “marajás” (apesar da palavra Maharaja significar o mesmo que Rajput) .

Detalhe do palácio de Johdpur.
Com o tempo, o governo indiano foi retomando essas propriedades e cortando os salários desses nobres que passaram a viver da pomposidade dos seus títulos e da transformação de seus palácios e propriedades históricas em museus ou mesmo grandes – e alguns nem tão grandes – hotéis. 


Cena de um Haveli em Pushkar.
É isso mesmo: ao conhecer o Rajastão você pode experimentar a vida de marajá e se hospedar em um antigo palácio, ou Haveli. Alguns chegam a datar do século XVII!


Fábrica de queijos no meio de uma das ruas de Jaipur.
O circuito pelo Rajastão segue basicamente a trilha dos grandes fortes e instalações militares que datam desde a idade média, grandes palácios transformados em museus (Jaipur, Udaipur, Johdpur e Jaisalmer) e lugares de importância religiosa (Pushkar). 

Muitas mãos pintadas: as novas indianas! (Foto Tia Fá)

A dica aqui é aproveitar a falência dos antigos nobres locais e se hospedar nos antigos havelis – dá pra achar alguns mais modestos por um preço bem em conta.

A cidade azul de Johdpur.
Uma maneira de fazer o trajeto todo é usar as linhas de trem que com algum planejamento levam à todas as cidades – com exceção do trecho Udaipur/Johdpur. 

Turistas indianos no forte de Jaipur.
No entanto, se você estiver viajando em mais de três pessoas muitas vezes vale a pena fretar um taxi, o que possibilita parar no meio do caminho e conhecer alguns monumentos que se perderiam em uma viagem de trem.

Crianças do Forte de Jaipur.
Nos posts a seguir, dedicados a cada uma dessas cidades em separado, comentaremos brevemente sobre os detalhes que nos chamaram atenção, mas fundamentalmente deixaremos as fotos “falarem” da nossa vivência que representou nossa despedida ao país em que dedicamos mais tempo nessa volta ao mundo.

Apenas bons amigos, ou o aperto do Tuk-Tuk. (Foto Tia Fá)
Fonte:http://www.esefossemospara.org/2013/07/rajastao-um-comeco-india.html

Viajar para Índia: Namastê, Rajastão! Na terra dos Maharajas.


O invencível Forte Mehrangarh, em Jodhpur
Tirando a imagem do Taj Mahal, que fica na região central do país, quando você pensa em Índia, aposto que se lembra dos grandes palácios, dos elefantes, dos camelos, das histórias de princesas e príncipes… Pois bem, é dessa região que vamos falar: Rajastão, a terra dos Maharajas. Como eu já disse no post Namaskar, Índia!, “Maha”, em hindu, quer dizer, grande, e “Raja”, rei. Venha viajar para o Rajastão com a gente, para a Terra dos Grandes Reis, e conheça as maravilhas de uma das regiões mais esplendorosas da Índia.
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O Rajastão é a região mais rica em palácios, fortes, festivais e bazares coloridos abrange uma área de 342.000 km², o qual abriga o deserto de Thar, muito importante para a determinação da cultura e características da região, e é cortada pelo rio Chambal, fino e ralo em grande parte do ano, mas que inunda, garantindo a sobrevivência do povo, mas destruindo as estradas no período das monções.
ImagemSe há nobres, há plebeus e em um número muito maior, assim funciona o mundo e não seria diferente na Índia, nem no sistema de castas do hinduísmo, objeto de outro post. Terras dos Reis e das suntuosidades, o Rajastão é também uma das áreas mais pobres da Índia, onde há bastante população rural, as meninas se casam com doze anos, e as famílias vivem com muito pouco. Mas vamos falar das desigualdades sociais também outra vez, agora, vamos aos palácios dos contos de fadas.
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Viajamos mais de 6.000 km pela Índia de carro e, desses, a maior parte foi pelo Rajastão. Por várias vezes, tive meus olhos cheios de lágrimas ao me deparar com o porte de construções que nunca imaginei, nem lendo em livros, como, por exemplo, o forte de Jodhpur e o incrível templo jainista em Ranakpur e, olha que eu nem falei do Taj Mahal, que merece um post só dele (UAU). Também me emocionei ao ver meninas de doze anos já mães de família… O Rajastão é terra de contrastes.
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Para entender rapidamente o contexto da região, saiba que, por muito e muito tempo (desde 1192-1857), a Índia foi dominada pelos Mughais, ou Mongóis, sim, todos parentes do grande e inigualável Gêngis Khan, da Mongólia. Eles influenciaram bastante a cultura indiana, na língua, muitas palavras em hindi provêm do urdu, língua dos mongóis, que também é uma das oficiais no país, e, principalmente na religião, trazendo o islamismo. A influência dos mongóis ocorreu de forma mais intensa na região do Rajastão e também na região central, incluindo Délhi e também Agra. Não é muito falar que o Taj Mahal, que é uma grande tumba, foi construído pelo imperador mongol Shah Jahan, e do lado dele há uma mesquita. Assim, os mongóis influenciaram bastante os Rajas já existentes na região do Rajastão, fazendo inúmeros pactos de não agressão com uns ou mesmo entrando em guerra com outros.
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Basicamente, as principais cidades do Rajastão são: Jaipur, Jodhpur, Udaipur, e Jaisalmer. Só não visitamos a última, porque queríamos ir a Khajuharo. Você deve ter percebido que a maioria delas termina com “pur”, que quer dizer cidade. Cada uma delas, antes da Independência do país em 1947, representava um reino sob um domínio de um Raja. Assim, em cada uma vai haver um palácio, uma dinastia, uma corte, um exército, um símbolo, etc. Há outras cidades que visitamos muito interessantes como Bikaner, Puhskar, Ranakpur e Orccha, as quais detalho melhor e dou as dicas depois!
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Fonte:http://www.borboleteandoporai.com/viajar-para-o-rajastao-na-terra-dos-maharajas/

Índia - As faces e os lugares do Rajastão 


                            O carro é conduzido por Anil, o trânsito pela proteção divina e os pedestres sabe-se lá por quem. Desviamos de riquixás, de motocicletas, de carros, ônibus e caminhões, entre fumaça e buzinaço, sob o eterno céu leitoso que cobre a Índia. Tudo me surpreende, da confusão à capacidade de harmonizarem-se com ela. Todavia nada tem maior impacto em mim do que aquilo que melhor revela o caráter indiano: paciência, resignação, impassividade. Todos parecem conviver bem com o caos. Olhos e ouvidos não conseguem coordenar o turbilhão que desfila pela janela do carro. É como se o mundo passasse por mim, não o contrário. Quando milhares de pessoas atravessam as ruas aparentemente sem destino, camelos conduzem cargas pesadas com seu andar desajeitado, tratores carregam fardos maiores que eles próprios, ônibus apinhados carregam passageiros no teto, animais vadios seguem rumos sem destino formando um conjunto de paisagens vivas que só se vê na Índia, viajar pelas estradas entre Agra e Jaipur é experimentar o extrato da desordem mais completa. Ainda que divertido, o interminável ziguezaguear do nosso carro desviando de tudo produz permanetne tensão à viagem.
                        Por todo o percurso vou confirmando, um a um, todos os estereótipos indianos no mais louco e desordenado tráfego fluindo em todas as direções, e gente e animais exibindo aquela inegável, incomparável competência, destemida coragem enquanto caminham e cruzam as ruas disputando os mesmos espaços que os veículos.    
     ______  Pelo percurso, vou confirmando, um a um, todos os estereótipos indianos  ______  
                           A chegada a Jaipur é um estupro aos sentidos. A seqüência avassaladora de exageros. Do lixo às pessoas, de vendedores de coisas que não se quer e não se precisa à espetacular arquitetura, da ordem urbanística à desordem urbana, da poluição à pobreza, tudo fornece as doses mais elevadas de sobrecarga sensorial que mesmo o mais indiferente indivíduo pode suportar. 
 ______  Mulheres envoltas em saris multicoloridos, uma das faces do Rajastão ______
                         HAVELIS, templos incrivelmente esculpidos, fortalezas e fabulosos monumentos de todas as formas em pedras rosa e marrom, músicos tocando instrumentos exóticos, mulheres envoltas em saris multicoloridos carregando vasos de água nas cabeças e nas mãos, homens com longos bigodes, turbantes de uma cor ou multicoloridos, animais e tudo o que faz das cidades do Rajastão uma festa vibrante para o turista, uma sedução para fotógrafos, um estímulo para escritores.  
    ______  Vimos mulheres carregando vasos de água nas cabeças e nas mãos ______
                         INICIÁVAMOS ali nossa viagem ao Rajastão, o Estado mais emblemático do país, e ainda que esperançosos, jamais poderíamos imaginar a seqüência tão fabulosa de monumentos que veríamos e os momentos mais enriquecedores, curiosos e divertidos que viveríamos na Índia, especialmente depois do tanto que já nos encantara em Delhi, Agra, Sikandra e Fatehpur Sikri.  
 
______  Vimos homens de turbantes coloridos de muitas voltas ______
  
______  Um, dois, três, quatro ... ______
 ______  ..cinco etapas que fazem tudo parecer tão fácil  ______
                           Ainda que preparados e abastecidos, não imaginávamos que ali começavam as verdadeiras experiências, o mergulho mais profundo no pântano indiano onde estão suas mais nobres e ricas tradições culturais, seus tesouros arquitetônicos mais impressionantes, as nossas mais magníficas experiências antropológicas de toda nossa viagem.
  
 ______  Vimos pobreza, encontramos beleza em tudo ______
                         O Rajastão surpreende até o viajante mais experiente, aquele que já conhece lugares exóticos e grandiosos na história, nos costumes e no patrimônio arquitetônico de desenho caprichoso. Aquela avassaladora introdução ao Rajastão demonstrava que o Estado potencializa e condensa em si todas as características mais comuns atribuídas a Índia: o trânsito mais louco, os cheiros e sons mais intensos, as cores e sabores mais fortes, a pobreza, a riqueza, os monumentos incríveis, a cultura fabulosa, tudo sempre em doses espetaculares.

                        ______  Vimos encantadores de serpentes, vimos instrumentos exóticos ______  

                        Vimos mulheres usando orhnis vermelhos e laranjas brilhantes e sarees esvoaçantes. Vimos homens com bigodes enormes e vistosos turbantes de muitas voltas. É o povo rajastani, então, que representa o maior destaque do Estado ao exibir o caráter mais orgulhoso, a altivez mais evidente e o jeito mais nobre que presenciamos em toda a viagem.   
 ______  Vimos mulheres usando orhnis vermelhos e laranjas brilhantes e sarees esvoaçantes ______  
                        O Rajastão tem em sua gente o vestir mais colorido, na humildade o caráter mais digno, nas favelas a feiura mais bela, nos animais a melhor saúde, nas crianças a alegria mais natural. E ainda que pareça contradição, é justamente esse conjunto de estereótipos  que torna a Índia tão vibrante, atraente e interessante. O colorido e energético Rajastão é a síntese mais que perfeita de todas as imensas riquezas e pobrezas, de todas as contradições e contrastes desse país fabuloso. 
      ______  Vimos beleza em tudo, do povo à arquitetura  ______
        
   ______  Vimos havelis encantadores, monumentos arrasadores ______
                           À primeira vista, são as cores que distinguem as cidades turísticas do Rajastão: Jaipur é a "Cidade Rosa", de um vermelho alaranjado esmaecido e onipresente nas fachadas. Jodhpur é a "Cidade Azul", murada e labiríntica, cujo monocromatismo é o mais curioso e elegante entre todas elas. Jaisalmer é a "Cidade Dourada", cujos tons do arenito proporcionam um efeito  espetacular. Udaipur é a "Cidade Branca", onde a cor das casas caiadas, emolduradas por palácios e havelis proporciona uma imponência sem similar.Todavia, um tom predomina: é o vermelho, onipresente em todas as suas variações, tanto nas construções quanto nos monumentos, sedas, cerimônias de casamento, no sindoor (*), no pó vermelho do gulaal (**) usado no festival Holi (***). 

 NOTAS:
Sindoor (*):  é um risco pó vermelho feito com o dedo e aplicado na testa, aproximando da região onde começa o cabelo. Também é usado como um ponto no mesmo lugar, representando, no hinduísmo, a marca de uma mulher casada.  As mulheres solteiras usam o ponto em cores diferentes, que são chamados bindi, em hindi. As viúvas deixam de usá-lo, significando que seu marido não está mais vivo. A versão utilizada em rituais hindus - ou puja -, tanto em homens quanto em mulheres, é conhecido como kumkum, feito através da trituração da cúrcuma seca transformada em pó. Algumas gotas de limão adicionadas ao pó amarelo resultam numa reação que  o transforma em vermelho brilhante. O kumkum é considerado auspicioso pelos índianos e por isso utilizado para fins diferentes e em ocasiões especiais, como casamentos e festas. 
Gulaal (**): é o pó de diversas cores jogado nas pessoas durante ofestival Holi na Índia.
Holi (***): é uma festa religiosa celebrada pelos hindus e sikhs na primavera, ocorrendo principalmente na Índia, Nepal e Sri Lanka, mas também em países com grandes populações de indianos.
Fonte:http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagens/2011/3/17/india-as-faces-e-os-lugares-do-rajasto.html

UDAIPUR - Um oásis no Rajastão 

                     UDAIPUR em 3.000 palavras    __________________________________________________
                  QUANDO escrevo percebo o quanto as palavras não me querem, ainda que eu tanto a elas. Gosto tanto de palavras que chego a dormir pensando em algumas. E sempre lhes presto  o devido respeito, seja lá onde eu as tenha conhecido. Sem elas, comprometo minha comunicação, especialmente com meu leitor. Ainda assim, tenho-as em boa conta, mesmo não sabendo juntá-las com o sentido que desejo. Então, se quase nunca elas me são fiéis, se abandonam-me com contumaz freqüência, especialmente quando aqui mais preciso delas, tudo o que vai, volta. E quando o fazem, parecem ainda mais atraentes do que antes de me deixarem. Recebo-as bem. Tiro o véu do orgulho e as perdoo. Afinal, sou o que sou, não o que desejo: um escritor amador. Com imenso amor próprio, mas sem falso pudor, orgulho ou presunção. Não tenho talento ou expressão, apenas esforço e dedicação. Se assim é, o melhor que faço é continuar flertando com elas num eterno drible em rumo ao gol. E entre um olé e outro, juntando-as com algum sentido, escrevo como se não o fizesse, mesmo falando de sensações quentes do coração e da mente, tais como as que senti em Udaipur, cidade marcada para o resto da minha vida de viagens.                      
Eu já me sentia com “experiência”, concedia-me o direito de perceber a vida em Udaipur mais feliz e colorida. Não só de rosas, fucsias ou laranjas. De felicidade mesmo.
                  PRECISO de umas 3.000 delas. Das melhores que puder encontrar. Depois, saber como juntá-las para poder contar-lhes minha paixão por Udaipur. É tarefa soberba. E já não posso dissimular atribuindo à idade a culpa. Não. Não são o tempo e seus sinais que apagam da memória as palavras. Elas sempre me faltaram. Nunca me quiseram como eu a elas.
As cores intensas e ácidas do Rajastão, também eum Udaipur
                   SINTO o tempo passar. Não só na memória, mas na pele, nos cabelos e na carne. Até mesmo onde não vejo, apenas sinto: nos ossos. Mas por instinto ou prazer, vou tirando 'de letra' a fragilidade que ele me impõe, compensando-me algumas vantagens. Entre elas, o apuro do gosto. Mas é só um exemplo. Nas viagens também. Torno-me mais prático, menos exigente. Deixo as superficialidades, ainda que mais seletivo, que perceba mais vivo o instinto de sobrevivência. São coisas afinal que todos sentem nessa altura da vida. Sentimos mais positividade do que na juventude. É o que há de bom em envelhecer. Ao dezoito provavelmente eu diria: "Isso é coisa de velho". Hoje não, tudo fica mais consistente. Reconheço que a passagem do tempo é inexorável. Sobretudo que é superveniente à minha vontade. Vou morrer um dia. E, claro, a contragosto. Mas gosto muito de encarar a vida e a natureza como elas são: que a segunda não está nem aí pra primeira. Não me apego a fantasias e muletas espirituais para escapar dos desígnios da natureza. Nasci, vivo e vou morrer. Não irei pra qualquer lugar a não ser virar cinzas. Isto é, se a família cumprir meu desejo de tornar meu corpo em cinzas. Que serão jogadas a meu pedido ao pé de alguma árvore. Preferencialmente de um jambeiro onde mamãe nos levava para comer seus frutos na infância, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Se o tempo minha memória consegue apagar, espero que não a consciência da finitude da vida. E do quanto é bela, saborosa e um privilégio que só se tem uma vez.  
                          AVALIO melhor se preciso trocar o smartphone a cada novo modelo se ele ainda cumpre bem sua tarefa. Controlo a tentação de substituí-lo e ao carro. Preciso de um mais bacana? Depois de tê-lo, trocá-lo a cada novo modelo porque redesenharam sua lanterna traseira?  Devo atender à propaganda no Dia das mães, dos pais, dos namorados, dos avós, das crianças e do escambau? Permanecer alienado, comprar presentes obrigatórios em datas comerciais como se fossem a maneira sensata de demonstrar amor? Preciso mais do que já tenho? Não é hora de espanar o narcisismo, vaidades tolas, descabidas, de não dar importância às modinhas? E a tudo mais que é desimportante? Isso o tempo muda. Mas algo ele não me altera: a percepção do quanto as viagens tornam minha vida mais atraente. Que por mais que as faça, não me satisfaço. Porque só vejo acentuar  vontades de descobrir novos destinos e rever os conhecidos. Ah, Mianmar!...
               PERCEBO também que o tempo acentua a curiosidade por novos destinos. Quanto mais estranhos, mais novos os jeitos de viajar e olhar o mundo e as pessoas. É um bom modo de levar a vida. Como se o tempo ao passar deixasse recadinhos: "A vida é curta. Então, viaje!"... 
               QUEM sabe um dia eu explique melhor tudo isso? Hoje não. Perdi detalhes e o fio da meada. Mas quero contar-lhe dos efeitos. Não do tempo, mas do que a Índia fez comigo. E porque o saldo de minhas viagensnão resultaram só das influências dos destinos sobre mim, mas da combinação dele com as coisas do meu coração e mente. Se não fosse assim, todos gostariam da Índia.
                A Índia é uma combinação única de sensações. De frustrantes a emocionantes. Muitos visitam o país e voltam amando. Outros, não, são derrotados por ele. Só quem consegue penetrar no véu de complexidades que recobre a Índia percebe que ela revela-se como é, não como imagina. Então os momentos de desconforto deixam de ser tão notáveis e quem foi à Índia para gostar encontra paciência para aceitar, compreender e admirar. Ainda que não encontre paz de espírito nem serenidade sensorial. O país exige, mas também ensina. E quem tenta, absorve. Os que não, são deglutidos. Sou infinitamente grato por duas vezes ter visitado a Índia e ter percebido o quanto ela fez por mim.
                GOSTO de ser confrontado nas convicções ao viajar, apesar de meus convencimentos. À Índia foi assim: conseguiu me persuadir. Com socos, e da rejeição à paixão. Especialmente corações pragmáticos e realistas. Tenho cá meus países que não explico porque não me encantaram. O Irã um deles. Não sei se pela falta de liberdades essenciais, por não poder escolher o que vestir ou comer por definições sociais, religiosas e políticas, por negarem o holocausto, por homens praticarem auto-flagelação com chicotes de ferro, se pelas mulheres com olhares deprimidos sob chadores ainda que encantadoras pessoas. Não sei se porque lá me senti não estrangeiro, mas um alienígena. Confortável, bem recebido, mas não bem aceito. Não explico também como a Índia, que cheira mal, tem pobreza milenar, lixo espalhado e tantas coisas mais detestáveis que o Irã e mesmo assim gostei tanto, por ter me sintodo tão atraído quando havia tanto a detestar.
                Talvez porque a Índia seja colorida. E alegre, intensa, chocante, penetrante, entusiasmadora, ter o conjunto de patrimônios mais bonitos que vi, mesmo entre a mais tocante pobreza. Cada dia um novo conjunto de impressões, de sensações, experiências, imagens, sons, desafios e contrastes, tudo uma sobrecarga sensorial, todavia que uma noite bem dormida me fazia despertar refeito e entusiasmado a explorar o dia seguinte e viver de novo aqueles excessos. Todos eu terminava  menos feliz que o seguinte .  Como um incentivo, desafio, convite a olhar para tudo com olhos ainda mais bravos e corajosos, receptivos e complacentes, vencendo medos e estranhamentos, complexidades e desconfortos.
                NÃO que se pareçam as cidades na Índia. Umas mais, outras menos, é verdade, cada qual com seus caos, sujeira, poluição e buzinas irritantes. Podem cheirar mal, sempre têm uma pobreza explícita democraticamente distribuída, chocantes e pungentes, gente que nasce pobre, continua um eterno processo de pobreza, mas sob um conformismo desconcertante para seguirem sobrevivendo. Talvez seja porque tenham tanto temor a deuses tão numeros quanto ferozes e vingativos.
                A vaca é sagrada, a comida picante, Gandhi um herói, as estradas surreais, os carros, motos, caminhões, ônibus, tratores, carroças, tuk-tuks e tudo mais que rode ou se arraste são apinhados de gente ou de carga que sempre excede seus limites. Também camelos e elefantes dividem terreno nas estradas. Os monumentos são monumentais, as crianças de rua têm melequinha escorrendo do nariz aos lábios e são sujas como carvoeiros. De roer o coração. Os macacos são desordeiros, ladrões e agressivos. Sempre assustadores e perigosos.
           NÃO sei se há mais mendigos que divindades. São centenas de milhões. De ambos. Há mais animais soltos nas ruas que confinados em fazendas. Porcos, cães, ratos, pombos e galinhas. E vacas, claro. Fazendo o que as vacas fazem, você sabe. Só não vi gatos, mas não sei bem o porquê. Mas gostei muito de tudo. Muito. Vários parágrafos meus não explicariam o que Índia tem pra ter feito isso comigo.
                CHEGÁVAMOS em Udaipur. Como sempre, com a cabeça cheia de confusões. E transbordando de idéias. Sobretudo planos de voltar. Apesar dos socos, conflitos e confrontos de quinze dias de estada na Índia. Mas aquela cidade me tocava especialmente. Tanto pela imensas beleza quanto pobreza, pelas necessidades humanas tão prementes e enraizadas que não sei se solucionam-se. Sentia uma hipocrisia à minha maneira,  mais uma das dúvidas do que viajar à Índia nos provoca. 
O Quarto Azul do Palácio da Cidade
                PODERIA ter sentido antes, mas foi em Udaipur que percebi o que a Índia havia feito comigo. Chegava ao fim uma viagem gloriosa. E começava ali um sentimento jamais tão fortemente experimentado: saudades, tristeza por deixar a Índia sem querer fazê-lo. Era quase noite na última cidade de nosso roteiro peloRajastão. Última, mas não por gosto, mas porque viagens têm começo, meio e fim. Entretanto, se havia algum desejo notável era o de ficar mais uns dias naquela joia do lago. Felizmente minha doce Emília inventou de última hora estendermos nossa estada por mais um dia. 
                OS cheiros pungentes já não invadiam tanto minhas narinas. Ou, então, já havia me acostumado com eles. As cores já não me pareciam tão intensas e também não ouvia tantos sons. Tudo parecia mais sereno. E menos invasivo. Só não a curiosidade dos indianos por nós. Udaipur me parecia então a cidade mais sedutora que visitamos na Índia. E mostrava-se um destino esplêndido, de paisagens e monumentos encantadores. Para os olhos e o coração. Foi com muitas olhadas para trás que saímos de Udaipur, que nos despedimos da "Cidade do Lago" e da Índia.
                NA cidade eu me lembrava de que história do mundo é cheia de épicos, especialmente a da Índia. Por tantos anos de civilizações, religiões e conflitos, acabou por tornar-se o país da diversidade cultural, o lugar mais intoxicante que alguém possa visitar. Provavelmente é o que torna a Índia tão viciante. E difícil de explicar. E provavelmente o motivo porque tantos viajantes escritores tentam desmistificar o país.
                PESNO que provavelmente tenha sido encantado pela Índia porque ela quis me retribuir toda a admiração. E não o fez apenas em Udaipur. Tudo ali pareceu mais leve do que nas outras. Imperfeita, como todas que visitamos antes, mas eu enxergava alguma perfeição. Ou então era a mais cidade menos imperfeita. Udaipurtinha uma atmosfera de tranquilidade muito difícil de encontrar nas grandes cidades. E palácios, um grande lago, ruas e templos proporcionando ao visitante um desejo tentador de explorar. Eu gosto de cidades assim. Se o encantamento já me tomara desde que pisei na Índia em Delhi duas semanas antes, se já me sentia com “experiência” bastante, concedia-me o tempo o direito de perceber que vida em Udaipur parecia melhor. Mais feliz e colorida. Não só de rosas, fucsias ou laranjas. Mas de felicidade mesmo.
Mais colorida. Não só de rosas, fucsias ou laranjas. De felicidade mesmo
                UM pouco menos carregada de homens magros e sujos, talvez. E de animais pestilentos e sofredores, de cacas nas ruas e até de buzinas. Creio que por ser mais rica e poderosa cidade, desde da Era do Império Mewar. Mas a “experiência” não passou dos pés. E não me tornou nenhum indianista. Um pouco mais romântico, talvez. Mas aí é fácil. Quem é assim, se pega fácil, não resiste mesmo à mais tola forma de romantismo. Como olhar daquele lago com um palácio no meio. Especialmente às suas margens. Onde James Bond- em 1983, no filme Octopussy - teve várias cenas rodadas. Entre as mais notáveis, no Shiv Niwas Palace (o hotel de Bond), no Taj Lake Palace (hoje um hotel) e no Jag Mandir Palace (onde o personagem Octopussy, deMaud Adams, morava) e no Monsoon Palace (residência de Kamal Khan). Lembram-se da cena clássica (hoje ingênua, por certo) de perseguição num riquixá deliciosamente pilotado por 007? Fez tanto sucesso que “roda” na TV de qualquer boteco turístico da cidade.
Piscinas privativas do exuberante Oberoi Udaivilas
                 A viagem terminava em Udaipur. E com um presente: um hotel soberbo, onde chegamos numa noite extraordinária em que tudo parecia irreal, porque nos surpreendia a cada passo. Tínhamos uma vista linda sobre o cintilante Lago Pichola, para o Lake Palace e para o Palácio da Cidade, do marajá de Udaipur. Estávamos num apartamento deslumbrante. Com uma planta espetacular e incomum, uma piscina gigantesca semi-privativa que só fotografias conseguem descrever. Tudo é empolgante neste hotel. E quase irreal. Tipo de empreendimento que adiciona muitos "uaus!" ao "fator wow" numa viagem. Especialmente à Índia.
Oberoi Udaivilas
                   Em 2013, o exuberante Oberoi Udaivilas recebeu o título de melhor hotel da Índia. Quem sou eu para discordar, ainda que tenha conhecido outros tão espetaculares nesta viagem. Mais do que isso, este Oberoi está sempre na disputa por uma das primeiras posições entre os “melhores hotéis do mundo”. As razões são óbvias, pode estar certo. O quarto é espaçoso e elegantemente decorado, concebido numa planta incomum mas perfeita. E decoram-nos com obras de arte artesanais, com móveis de ótimo padrão feitos na cidade, uma sala de estar grande e próxima da área de dormir, cuja cama de casal tamanho king e vista para o lago é difícil deixar de manhã. Mas isso não é tudo. Os detalhes, a atenção aos detalhes e o bom gosto deles.
Detalhes. O que cativa os hóspedes sem que eles saibam... 
                    O banheiro de mármore tem banheira e box separados. É superequipado. E uma porta saindo para um pátio privativo com acesso à piscina. A vista do nosso quarto no hotel convidava a ficar bem mais tempo. Ainda havia um misto de excitação por estar ali, termos chegado a Udaipur e naquele fabuloso hotel, e cansaço do dia inteiro de viagem. Mas era hora de dormir, descansar para o dia seguinte.
                  A manhã seguinte estava com um sol divino e temperatura agradável. Pareciam acentuar aqueles tons brilhantes e ácidos das mulheres rajastanis em seus saris circulando pelas ruas. Aquelas ruas sempre pulsando de energia, mas aqui com uma atmosfera diferente. Nossa primeira visita foi ao Palácio-Museu de Udaipur. Gigante, belo, imponente, compacto, massivo. Sem dúvidas a mais importante atração da cidade. De carro saímos do hotel, passamos por ruas estreitas e movimentadas até subirmos à colina onde fica o palácio, um enorme complexo cujas fachadas internas e externas evocam o estilo muçulmado natural ao período mogol. E nos fazem supor o poder e riqueza daqueles tempos de marajás e de histórias de batalhas sangrentas.
                COM tempo não é difícil identificar o estilo mourisco fundindo-se com o hindu, mas aqui, sobretudo, também com outros orientais e ocidentais. Tantos palácios rajastanis me impressionaram, mas este teve uma escala especial, grandiosa e impressionante. Talvez pela sua forma compacta e a peculiaridade dos túneis que integravam seu sistema de defesa.
                OS pátios internos cercados, todavia são comuns aos demais palácios do Rajastão. Para onde abrem-se varandas, quartos e salões em dois ou três andares. Os térreos têm paredes de azulejos coloridos e tetos espelhados, mosaicos para refletirem a luz de velas colocadas em nichos.
                NA década de 1970 o governo decidiu que alguns palácios passariam a ser propriedade do governo e transformado em museus. Parte dos palácios foram mantidos como residência dos marajás e suas famílias, e parte, como neste, tranformados em hotéis.  Depois da visita comemos no Raaj Bagh Restaurant, à beira doLago Fateh Sagar, murado, com jardins e uma área gramada com árvores, fontes e tendas, um ambiente tranquilo e acolhedor para uma refeição. Comemos comida indiana e eu algo italiano, o que não contivesse pimenta.  Mas sinceramente eu sentia saudades do centro de Udaipur, onde a vida me pareceu bem mais atraente.
                À tarde visitamos o Jardim Saheliyon ki Bari, um grande espaço popular com fontes e quiosques, uma piscina de lótus e elefantes de mármore jorrando água, construído pelo Marajá Bhopal Singh. Segundo se conta, o marajá o construiu para que a filha tivesse um lugar privativo onde receber amigas e divertirem-se na piscina, já que o jardim tem muros altos, nadando sem serem olhadas por homens da rua. É um oásis no coração da cidade. 
                 JAG Mandir foi um palácio. Hotel é um hotel palácio, o Taj Lake Palace. Construído em 1620, fica no meio do Lago Pichola e parece flutuar, não uma lha. O Jag Mandir Palace pode ser visitado em um passeio de barco pelo lago, que em gera partem das margens próximas ao Palácio da Cidade, de onde se gastam quinze minutos até chegar. Fomos num barco privativo do hotel onde estávamos, um passeio adorável que não levou dez minutos. O hotel, com bonitos jardins e lagos com fontes em mármore, alguns incrustados com pedras colorida, e oito elefantes de pedra guardando solenemente a entrada. É um hotel de luxo, onde comemos uma boa refeição com vistas para o lago.
               UDAIPUR não é só um destino turístico dos mais importantes no Rajastão. Para estrangeiros, graças à sua serenidade, patrimônio e beleza natural, é perfeito para concluir uma viagem à Índia.
                   MEU leitor sabe: não escrevo postículos com 1500 palavras e textinhos com 140 caracteres como no Tweeter. Consumo de cinco a seis mil em cada post. E não estou certo de que meus textos continuariam a ser cativantes e não burocráticos se cortados à metade. Nem sei bem porquê, se por causa da decadência dos textos das revistas, blogs comerciais e da literatura de viagens comandada pela economia de palavras, se por culta dacultura de curto prazo ou se mesmo pela minha aversão às superficialidades que dela decorrem, o fato é que aceitei meu auto-desafio: concluir um post com 3000 palavras, o dobro do que alguns julgam como um texto perfeito para um blog. 
                  SE você chegou até aqui, saiba: o Word Count do Squarespace contabilizou 3.000!
As aquarelas são do artista ANURAG MEHTA, autodidata, indiano residente em Udaipur
Fonte:http://anuragwatercolor.blogspot.com.br
http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagens/2015/7/6/udaipur-um-oasis-no-rajasto.html

Rajastão: as joias do deserto de Thar

No deserto de Thar, no Rajastão, noroeste da Índia, ficam antigas cidades onde estão alguns dos principais palácios e fortalezas do país. O Estado é talvez o mais interessante da Índia e conserva um patrimônio arquitetônico com castelos e palácios absolutamente espetaculares. O Rajastão é hoje a cereja do bolo do turismo na Índia e uma viagem inesquecível.

Como ir

Há trens, ônibus e avião para Jaipur a partir de Delhi ou Mumbai.

Onde se hospedar no Rajastão


Cidades de interesse turístico no Rajastão

Jaipur – A cinco ou seis horas de carro de Nova Delhi, encontra-se Jaipur, capital do Estado do Rajastão, é uma cidade do século XVIII, construída pelo marajá Jai Singh II. Jaipur é conhecida como a Cidade Rosa pois é toda construída com pedras nesse tom. A cidade tem um centro comercial fervilhante onde circulam carros, bicicletas, vacas sagradas, carroças e camelos. Na região alinham-se lado a lado uma infinidade de lojas de artesanato, objetos de decoração, roupas e bijuteria. O assédio ao turista é intenso. Fora do centro, possível de ir de táxi (combine o preço antes!), existem palácios e castelos de visita absolutamente imperdível. Site: Jaipur
Pushkar – Ao lado de Ajmer está Pushkar, uma encantadora aldeia em volta de um lago tido como sagrado pelos hinduístas. Uma vez por ano, na lua cheia de novembro, milhares de peregrinos vão a Pushkar para se purificar, banhando-se no lago é considerado sagrado. Pushkar não se pode comer carne e é talvez a única idade vegetariana do mundo. O grande mercado de camelos que ocorre uma vez por ano em Pushkar atrai também gente de todos os lugares do Rajastão e de outras regiões da a Índia.
Dica importante: Não é muito fácil viajar pela Índia e menos ainda guiar por lá. Se for alugar um carro alugue com motorista, o que não é caro. Em alguns lugares remotos do Rajastão a comunicação é difícil.
Jodhpur – No interiorzão do Rajastão, Jaipurma é prima provinciana de Jaipur. Mais tranquila, com um interessante mercado típico e um castelo situado numa elevação, que por si só já vale a viagem. Site: Jodhpur
Udaipur – Udaipur, fundada no século XVI, é uma cidade particularmente charmosa, a mais agradável do Rajastão. Em pleno deserto de Thar, a cidade toda branca, fica às margens do lago Pichola, onde há belíssimos palácios, quase todos transformados em hotéis. É possível hospedar-se à beira do lago ou, melhor ainda, no meio dele, onde uma ilha abriga um luxuoso palácio transformado em hotel de turismo. Nele você se sentirá como na época dos marajás… É caro (para a Índia…), mas é incrível. Qualquer roteiro de viagem pelo Rajastão deve necessariamente incluir Udaipur. Na cidade e nas proximidades de Udaipur há lindos templos. Site: Udaipur
Jaisalmer Bem próxima da fronteira com o Paquistão, no extremo oeste do Rajastão, sobre um platô no meio do deserto de Tahar , está Jaisalmer, uma das mais belas cidades da Índia, fundada no século XII e cercada por uma imensa muralha. A rica arquitetura de Jaisalmer, cidade parcialmente abandonada, é admirável: os prédios, feitos de pedra, têm suas fachadas totalmente esculpidas. Jaisalmer lembra as cidades medievais européias e é cortada por ruelas estreitas que desembocam em pracinhas. As construções chamadas Havelins, que foram residências de ricos mercadores nos tempos das caravanas de camelo, têm fachadas, inteiramente esculpidas. Em Jaisalmer fica também um templo jain com uma recuscada arquitetura, uma atração turística imperdível. Site: Jaisalmer
Dica – É nessa cidade que acontece o famoso Festival da Lua Cheia, na primeira lua cheia do ano, quando Jaisalmer fica lotada.É no Rajastão, perto de Jaisalmer, todos os anos, na primeira lua cheia de janeiro, é realizado o festival de música e dança das tribos do deserto, no meio das dunas, onde se chega de camelo (estamos falando sério!).
Bikaner É outra antiga cidade do Rajastão, na Índia, foi fundada em 1488 e conserva também belas construções de pedra. Bikaner foi construída inteiramente com pedras avermelhadas ou amareladas o que lhe confere um colorido único. Site: Bikaner

Dicas

Para saber mais sobre costumes, religião, história cultura da Índia, leia A Vaca na Estrada.
Fonte:http://manualdoturista.com.br/rajastao/

Hotéis de luxo do Rajastão, na Índia, fascinam até mochileiros mais roots

Um respiro hedonista nos palácios do estado mais colorido da Índia

É até reducionista chamar o Rajastão de estado – aquilo é um mundo. Com 342 quilômetros quadrados, o lugar é um adorável clichê que ocupa o imaginário dos viajantes com seus palácios nababescos, elefantes ornamentados, encantadores de serpentes, bazares de tecidos.
Ao longo dos 265 quilômetros que ligam Délhi aJaipur, a capital rajastani, o cenário vai ficando desértico e os turbantes, mais ofuscantes. Para fazer o roteiro, fechei um pacote de cinco dias com carro e motorista por US$ 525 com a Cox & Kings, agência de Délhi.
O tour percorre a tríade das cores: Jaipur, a cidade rosa, Jodhpur, a cidade azul, e Udaipur, a cidade dos lagos que poderia ser a cidade branca, o tom dominante de suas casinhas. Cada uma delas fica a uma média de cinco horas de estrada poeirenta. Além de visitá-las, eu queria me hospedar nos absurdamente lindos palácios dos marajás. Quem? Ah, os marajás.
Corta. Um terço da Índia colonial era subdividido em 562 principados, boa parte no território do Rajastão. Cada pedaço ficava sob a tutela de um príncipe indiano, o maharaja. No livro Paixão Índia, o autor espanhol Javier Moro diz que “alguns eram cultos, outros sedutores, outros cruéis ou ascéticos, outros um pouco loucos, e quase todos excêntricos”.
E dá-lhe excentricidade. Há o que mandou fazer um trem elétrico para circular em torno da mesa de jantar, outro comprou 270 automóveis de uma vez. A festa deles acabou com o colapso da colônia, em 1947. Alguns venderam suas mansões para grandes redes de hotéis, como Taj e Oberoi. O preço é salgado (a partir de US$ 250 a diária), mas até os mochileiros mais roots costumam “se dar a esse luxo” – eu conheci três. É a chance de viver in loco a vibe Mil e Uma Noites.
Jaipur, a cidade rosa
Jaipur, a primeira cidade do meu roteiro, tem um desses palácios esplendorosos e um Centro onde todos os edifícios são pintados de rosa – vibe monocromática que se alastrou depois que os prédios públicos foram cobertos com a tonalidade.
É um labirinto de vendedores de seda, engraxates e limpadores de orelha (!), estranho ofício local. Paguei US$ 3 por um pano de 6 metros, o sári, cujas mil utilidades foram explicadas pelo guia Sorab: vira um vestido sem precisar de alfinete, cobre a cabeça, protege do vento e ainda serve de toalha para enxugar os filhos.
Depois de zanzar o dia todo, aterrissar no Rambagh Palace, antiga moradia do marajá Bawhani Singh, é um estrondo. Mobília de madeira, porcelanas pintadas a mão, papéis de parede com mandalas. Nada soa kitsch. É um genuíno palacete indiano, esteticamente fascinante para quem vem do Ocidente.
Hotel Rambagh Palace, em Jaipur, no Rajastão, Índia
A sala de jantar dourada do Rambagh Palace, em Jaipur
Lá jantei cogumelos ao curry num prato folheado a ouro e descobri um bom vinho local, o Sula. O garçom contou que a trupe da novela Caminho das Índias ficou hospedada ali, em 2009. Passaram bem. Considerada por muitos uma extensão de Jaipur, de tão perto, a cidade de Amber tem um forte estonteante, o Amber Fort, com espelhinhos encravados nas paredes.
Jodhpur, a cidade azul
Na parada seguinte, Jodhpur, é obrigatório ir ao forte Mehrangarh, com salas medievais restauradas de onde se vê a cidadela azul, cor usada para marcar as residências dos brâmanes, a mais elevada casta da hierarquia hindu.
Mas os dois principais hotéis-palácios estavam lotados, e Sorab me carregou para a pensão Riddhi Siddhi, a US$ 8, com café. Claro, era de um parente dele. Desci uns patamares na escala hoteleira, mas dormi embaixo de um pôster holográfco de Ganesha. O último pit stop era Udaipur, a cidade dos três lagos.
Ranakpur, o templo jainista
No caminho entre Jodhpur e Udaipur, em Ranakpur, está um templo imperdível do século 15, o Adinath. Por fora, nada de mais. Por dentro, um esplendor. São impressionantes 1 444 pilares de mármore. Ele foi erguido por seguidores do jainismo, uma religião contemporânea do budismo, do século 6 a.C., mas bem mais radical. Os jainistas não comem nada de origem animal e arrancam os fios dos cabelos, um por um, num ritual doloroso. E pregam: “O que vale é o nosso interior”.
Udaipur, a cidade branca
Udaipur. Se eu tivesse de escolher uma só parada no Rajastão, seria ela, a Veneza do Oriente. O centrinho é gostoso de explorar, e há um complexo de palácios e museus de 20 mil metros quadrados. Quem se hospeda no Lake Palace, recorde no quesito beleza-de-hotel, tem acesso livre aos acervos.
Majestoso, o Lake foi erguido no século 18 pelo marajá Jagar Singh II para flutuar estático no meio do lago Pichola. Só se chega de barco (a boa é ir no pôr do sol), e, uma vez ali, tudo é mágico: o jardim repleto de pássaros, o quarto com ofurô e óleos aromáticos, os funcionários que parecem adivinhar o que você quer da vida.
Hotel Lake Palace, em Udaipur, Rajastão, Índia
Lake Palace, em Udaipur: vencedor hors concours de beleza-de-hotel
No spa, testei a maravilhosa shirodhara, um óleo quente que cai por 40 minutos no meio da nossa testa. No último dia, folheei os livros do quarto e achei uma boa pensata do poeta inglês Rudyard Kipling: “A providência criou os marajás para oferecer um espetáculo ao mundo”.
Fonte:http://viajeaqui.abril.com.br/materias/hoteis-de-luxo-do-rajastao-na-india-fascinam-ate-mochileiros-mais-roots

Dicas para montar o seu roteiro de viagem na Índia
Um país enorme e variado. Assim é a Índia, gigante asiático que abriga mais de um bilhão de pessoas e tantos outros lugares fantásticos. Quer visitar um deserto, andar de camelo ou ver encantadores de serpentes? Na Índia tem. Seu objetivo é conhecer florestas tropicais? Vai pra Índia! E também pra ver montanhas nevadas, templos milenares, cidades perdidas, locais religiosos, rios sagrados…
São tantas opções que fica até complicado planejar uma viagem pelo país. Já publicamos mais de 60 posts sobre o assunto, mas um importante tema ainda não tinha aparecido aqui no blog: como montar um roteiro de viagem na Índia? Hoje vamos resolver essa questão, com dicas detalhadas e várias sugestões de roteiros e lugares que você pode visitar.

Roteiro de viagem na Índia: uma semana

Por que diabos alguém cruza o mundo pra ficar só uma semana lá? Por vários motivos! Pode ser um viajante no meio de uma volta ao mundo e que não tem muito tempo para conhecer o país; alguém que foi para lá a trabalho e conseguiu uma semana de folga; uma pessoa que vai na realidade para outro lugar da Ásia, mas fez uma escala na Índia e resolveu ficar uns dias por lá também… Enfim, tem gente passa pelo país e não fica muito tempo. Tanto é que existe uma coisa chamada triângulo dourado, que é formado por três cidades: Nova DelhiAgra e Jaipur.

Ver Triângulo dourado num mapa maior

Nova Delhi é a capital e porta de entrada para Índia, já que por lá chegam voos de todo o mundo. Além disso, é uma das maiores cidades do país, com direito a comodidades típicas de metrópoles, como um metrô que funciona razoavelmente bem e um ótimo aeroporto. Enfim, uma boa escolha para começar uma viagem pelo país sem sofrer  muito com o soco no estômago que o choque cultural vai te dar, quer você queira ou não.
Vista do Taj Mahal, Índia
Além disso, Delhi está perto de alguns dos lugares mais incríveis e disputados da Índia, como Agra e Jaipur. A primeira é nada menos do que a cidade onde fica o famoso Taj Mahal, cartão-postal mais fodão do país. Já a segunda é a mais famosa cidade do Rajastão, o estado indiano dos Marajás.
As três cidades estão relativamente perto – cerca de cinco horas bastam para se locomover de uma para a outra. Por tudo isso, o tal do triângulo é um dos roteiros mais comuns entre os turistas que desembarcam na terra das vacas livres. É possível fazer o trajeto entre as cidades de trem, de ônibus ou mesmo de carro. Neste caso, basta alugar um táxi no aeroporto ou combinar no seu hotel.

Roteiro do triângulo dourado melhorado

Os próprios indianos chamam o roteiro Delhi-Agra-Jaipur de triângulo dourado, talvez pelo fato desse tripé concentrar uma quantidade enorme de turistas. Nós concordamos que o Taj Mahal deve ser prioridade de qualquer viagem à Índia e que Delhi é mesmo uma excelente porta de entrada no país.
No entanto, não incluiríamos Jaipur numa viagem tão curta. Não que a cidade seja ruim, mas certamente não é nem de longe a mais legal do Rajastão. Então pode ser uma ideia melhor deixar Jaipur para uma viagem que inclua o resto do Rajastão, fechando o triângulo com uma cidade que fica a umas sete horas de Nova Delhi: Rishikesh.


Rishikesh é simplesmente um dos lugares mais agradáveis da Índia. Vila às margens do rio Ganges, lá é possível conhecer um pouco da fé hindu, passar alguns dias num ashram, andar por lugares onde os Beatles estiveram, na década de 1960 e – o mais importante – nadar e até mesmo fazer rafting no rio Ganges, que é completamente limpo naquele trecho.
Estátua de Shiva no Ganges em Rishikesh, Índia
Caso escolha essa roteiro, fique duas noites em Delhi, siga durante o dia para Agra, fique uma ou duas noites por lá e depois siga para Rishikesh, que é muito mais agradável do que Agra. Você pode fazer o percurso entre as cidades de ônibus, carro ou de trem. No caso de Rishikesh, é preciso ir de trem até Haridwar, cidade próxima, e de lá pegar um tuk-tuk ou taxi. Veja nosso post sobre como organizar sua viagem de trem pela Índia.

Roteiro Rajastão

O Rajastão é a Índia que você viu na TV: fortes, marajás, encantadores de serpentes, camelos e elefantes. Ali também fica o Deserto do Thar, que durante séculos foi utilizado como rota de especiárias, que eram transportadas no lombo de camelos. Hoje os camelos transportam apenas turistas, que visitam as várias cidades do mais turístico dos estados indianos.
Existem várias cidades incríveis no Rajastão. Nós estivemos em quatro: Jaipur, Udaipur, Jodhpur e Jaisalmer. A primeira serve de porta de entrada para o estado, mas certamente não é um local para ficar muitos dias. Esse lugar é Udaipur, cidade cercada por lagos, fortes de marajás e com um ambiente muito tranquilo.
Já Jodhpur tem um mercado típico muito bacana (ou seja, caótico) e forte mais impressionante da Índia. Localizada na fronteira com o Paquistão, Jaisalmer tem também o seu forte. Ao contrário dos outros, este ainda serve de moradia para parte da população da cidade. Além disso, é em Jaisalmer que ocorre o famoso safári de camelo pelo deserto.
Vista do forte de Jaisalmer
Jaisalmer
Outro lugar interessante do Rajastão – mas onde nós infelizmente não fomos – é Pushkar, cidade onde uma vez por ano ocorre uma tradicional feira de camelos. Vale conferir se a data da sua viagem é a mesma da feira, o que certamente justificaria parar por lá.
Nós saímos de Delhi e fomos de trem para Jaipur. De lá, pegamos um ônibus para Udaipur, onde ficamos quatro noites (é possível ir de trem). Em Udaipur pegamos um busão capenga para Jodhpur, onde ficamos mais duas noites. O trajeto entre Jodhpur e Jaisalmer também foi feito de ônibus. São necessários entre 10 e 12 dias para fazer esse roteiro com tranquilidade.

Ver Roteiro Rajastão num mapa maior

Roteiro de viagem pelo norte da Índia


A parte mais legal do país. Esse é o norte da Índia, que deveria ser visitado por todo viajante que desembarca pela primeira vez por lá. Um bom exemplo é McLeod Ganj, vila encravada no Himalaia indiano, de difícil acesso e onde vive o Dalai Lama e o governo em exílio do Tibet. McLeod foi o lugar mais incrível que visitamos por lá.
Outra cidade que merece destaque – principalmente no inverno – é Manali, onde fica uma das principais estações de esqui da Índia. Sim, na Índia neva. E não é pouco.
No mesmo estilo é Shimla, que já foi capital de verão da Índia britânica. Vale incluir pelo menos uma das duas num roteiro pelo norte do país, pelo menos se sua viagem for durante o inverno, época em que essa parte da Índia fica cheia de montanhas nevadas e rios congelados.
Vista-Himalaias-Manali
Na fronteira da Índia com o Paquistão fica Amritsar, cidade sagrada para os sikhs, religião monoteísta comum no estado indiano do Punjab. Amritsar é uma cidade para a qual o adjetivo agradável definitivamente não se aplica, mas com uma coisa muito especial: o Golden Temple, um templo dourado que é considerado sagrado pelos Sikhs. Ele pode até não ser tão famoso quanto o Taj Mahal, mas certamente é tão interessante como. Ou mais.
Um roteiro pelo norte da Índia também deveria incluir Varanasi, definitivamente uma das top-5 cidades que precisam ser visitadas no país. A mais sagrada cidade dos hindus pode até meter medo, afinal o rio Ganges tem uma fama bem ruim fora da Índia, mas certamente causa um impacto em todo viajante que passa por lá. Esse roteiro poderia ser completado com outras cidades que já falamos, como Rishikesh, Agra e Nova Delhi. Veja uma sugestão de roteiro pela região.

Outros roteiros pela Índia


É lógico que existem outros lugares interessantes na Índia. No sul está o Kerala, que tem atraído muitos estrangeiros. Por lá também fica Mumbai, a mais incrível metrópole indiana. Goa, a região de praias que já foi portuguesa e que até lembra um pouco o Brasil, também entra na lista de viagens de muita gente.
E ainda tem a Caxemira, onde nós não fomos, mas que queremos um dia visitar. Todos esses lugares são interessantes, mas acho que não cabem num primeiro roteiro de viagem pelo país, a não ser que você tenha muito tempo por lá (como a gente teve) ou interesses específicos nessas regiões. Veja também: como montar seu roteiro pelo sul da Índia
Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas 
uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. 
Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo.
 Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, 
do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura.