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COMO ENCONTREI MEU GURU : RAJSHREE PATEL

Rajshree Patel : Como Encontrei Meu Guru




‘Este simples sutra: Mude sua respiração, mude a sua mente. Mude a sua mente, mude as suas emoções – Eu senti que se pudéssemos disseminar isso, o universo seria um lugar diferente. E é exatamente isso que Rajshree continua a fazer, 25 anos depois desta pérola de sabedoria desabrochar em sua mente.

‘Eu nasci em Uganda’ iniciou Rajshree, em voz clara e confiante. Ela poderia ter dito, ‘Eu nasci em Júpiter’ e o ouvinte teria sido compelido a concordar. O que faz de sua presença tão poderosa? Talvez os acontecimentos de sua vida possam oferecer alguma luz a este mistério.
‘Quando eu tinha 5 ou 6 anos, meu pai por acaso ouviu sobre uma visão de que haveria um golpe no país. Por esta razão, e pela educação, nós, as crianças e minha mãe, nos mudamos para um pequeno vilarejo em Gurajat, e ele nos seguiria em breve. Ele ficou para trás para trazer o nosso dinheiro, mas infelizmente ele foi pego pelo golpe. Eles o expulsaram da Uganda e ele perdeu tudo.
Nós estávamos morando com a mãe da minha mãe (avó) mas eu de alguma forma sentia que não me enquadrava ali, naquela pequena cidade em Gurajat. Nunca soubemos se meu pai estava vivo, e seguro. Havia todo tipo de rumor pairando no ar. Um dia, uma pessoa veio e falou para minha mãe correr para o correio local. Eu estava fazendo meu dever de casa quando ela saiu correndo. Quando ela voltou ela parecia feliz, havia um brilho em seus olhos, suas bochechas ficaram avermelhadas e ela me contou “Papa chegou na América.” A Cruz Vermelha o havia retirado de Uganda, e o levaram para a América, com nenhuma roupa ou ideia sobre o lugar, e ele estava tentando recomeçar tudo novamente. A Cruz Vermelha deu calças, sapatos e meias ao meu pai, e ele recomeçou a sua vida lá.
Logo, a família estaria unida novamente. Esta era a expectativa. No entanto, Rajshree, desde jovem, era muito extrovertida, independente, e de certa forma, rebelde. Isto estava em claro contraste com a conduta tímida e submissa que uma mulher Indiana de boa criação deveria possuir. Talvez por essa razão, seu pai decidiu que seria melhor criá-la na Índia, não na América.
Ele levou meus irmãos e minha mãe para os EUA e eu escrevi uma carta a ele dizendo “Se você não me levar para os EUA, eu serei uma menina má e vou matar aula.” Eu esqueci disso depois, mas dentro de 3 meses eu estava nos EUA para uma visita supostamente curta. Ele tentou me subornar, roupas, laços de cabelo, sapatos, bolsas, canetas, mas eu disse que não voltaria para a Índia. Acho que me tornei “americana” em minha forma de pensar. A coisa da qual meu pai tinha mais medo, eu já era. Muito extrovertida, independente, eu não me contentava com o sistema existente.  Meu pai já estava preocupado com quem eu iria me casar.
É raro uma menina de 14 anos de idade se rebelar contra os costumes dominantes em um pequeno vilarejo de Gujarat. O resultado poderia variar entre surpresa e choque.
Uma vez, a irmã da minha mãe estava se casando em Gujarat, e naqueles dias, existia uma prática na qual a família da noiva deveria oferecer dotes para a família do noivo. Toda vez que um casal dava a volta na fogueira, a família da noiva dava alguma coisa – um relógio, ouro... eu estava num telhado assistindo. De repente no meio da cerimônia a mãe do noivo disse, “Não queremos A. Queremos B. Senão este casamento não acontecerá.” Minha avó não podia pagar o que estava sendo exigido e a família estava obviamente numa posição difícil. Naquele momento, eu gritei do telhado, “Não queremos vender os nossos maasi, levem o seu filho e vão embora daqui. Vocês deveriam estar nos dando dinheiro!” Meu tio veio correndo e me arrastou para longe.
Reconciliada com sua família na América, Rajshree queria ser uma cientista biomédica e fabricar membros para as pessoas. Mas com 17, 14 anos de estudo era muito tempo para o seu pai, que queria que ela se casasse primeiro. Portanto, ela se tornou advogada.
“Eu não sabia o que um advogado fazia até chegar no terceiro ano. Então alguém me disse, os advogados podem fazer o que quiserem, podem ter seu próprio negócio, podem fazer contratos – o que ficou gravado em minha cabeça era que eu podia fazer o que eu quiser, sendo advogada. Foi esta promessa de variedade que me estimulou.
De alguma forma eu me tornei uma advogada federal (do governo). Eu trabalhei na Procuradoria Geral dos EUA e então saí para entrar na procuradoria geral do estado de Los Angeles. Eu gostava do meu emprego – era uma profissão muito social. Você não tinha tempo para pensar. Você entrava num escritório e eles lhe davam um monte de arquivos. No caminho para o tribunal você lia os documentos do caso. Então havia as testemunhas, os policiais, e as testemunhas ficavam mudando suas histórias. Muitos casos violentos apareciam – drogas, abuso, assassinato. Eu frequentemente considerava as circunstâncias deles antes de recomendar qualquer pena. Dependendo da situação eu levava meu argumento para um lado ou para o outro. Às vezes eu deixava que fossem soltos. É uma profissão muito ‘no momento’. Exige muita clareza.”
Enquanto Rajshree estava imersa em seu trabalho, seu pai estava ansioso para casá-la e arranjou para que ela se encontrasse e conversasse com alguns noivos em potencial e suas famílias.
“Eu encontrava com todos que eu meu pai me dizia para encontrar. Se o pessoal do cara perguntava se eu sabia cozinhar, eu dizia, não se preocupem, levaríamos a sua mãe junto conosco. Eu tinha uma resposta para tudo! Todos se casam, tem filhos e não parecem muito felizes. Parecia um fardo – mas ao mesmo tempo eu sabia que, de alguma forma, eu deveria fazê-lo.
Eu estava tentando me ajustar em algum lugar. Quando eu digo ajustar – não quero dizer da forma banal – eu sentia que havia mais na vida do que aquilo. Quando criança, pode ser que era num pequeno sentido social. Agora que eu era uma advogada, nada mais fazia sentido. A América não fazia sentido, a Índia não fazia sentido, ser indiana nos EUA não fazia sentido, e ainda assim, de alguma forma tudo junto fazia algum sentido... mas havia uma lacuna.”
Havia uma livraria em Los Angeles chamada Bodhi Tree, onde eu costumava frequentar. Eles têm fotos de diversos santos na parede – eu olhava, e em minha mente, discutia com eles; eu os perguntava – qual o propósito de estar pendurado em uma parede? Se pelo menos você tivesse estado em minha vida, talvez tivesse feito alguma diferença. Eu queria saber mais e pensei que nunca seria possível.
Eu estava no trabalho. Meu pai havia acabado de ligar para falar de outro pretendente para o casamento. Eu estava lutando contra esse, e contra outros vários pensamentos, quando eu vi uma revista, com as páginas manchadas de café, caída no chão. Eu a peguei para colocar no lixo, quando um anúncio 2 por 2 de um evento público com Pundit Ravi Shankar, Mestre Védico, atraiu minha atenção. Em retrospectiva, a revista talvez tenha sido uma resposta às minhas preces. Eu liguei para os organizadores para reservar um assento, pensando que ele era um músico, e de qualquer forma eu precisava me encaixar em algum lugar, talvez este concerto seja a resposta.
Eu não tinha ideia do que o sistema Védico significava. Eu pensei que era um tipo de música. No telefone me disseram que ele era um mestre iluminado. A iluminação para mim significava que ele era um expert. Eu sabia que o músico tinha 70 anos de idade, e a foto parecia de alguém com 15 anos de idade. No entanto, eu deduzi que talvez músicos preferissem divulgar fotos de quando eram mais jovens. Fui para o evento público. Havia uma garrafa d’água, uma mesa, algumas flores – não parecia um palco para um concerto musical. Eu novamente me justifiquei, dizendo que os Indianos não se preparam no horário.
Eu não me lembro de muita coisa desta palestra. Toda vez que eu sentia Guruji olhando para mim, eu me escondia atrás de alguém. Eu estava pensando – e se ele for de uma das fotografias nas paredes da Bhodi Tree – como vou saber? Estava tendo uma sensação intensa na região do coração – que imaginei que era originada desta pergunta, ‘Como sabemos que você é o verdadeiro mestre?’ Sua resposta foi, você não pode se esconder do mestre. Você terá um vislumbre – e então você se apegará a esse vislumbre porque a mente não voltará. Eu comecei a chorar por alguma razão desconhecida. Não posso descrever – mas talvez a palavra poderia ser ‘saudade’. Naquela época, eu a teria chamado de tristeza sem razão. Era agridoce. Havia algo de doce naquelas lágrimas. Aquilo foi provavelmente o que minha mãe sentiu quando soube que meu pai estava a salvo na América, a mesma coisa que eu senti quando vi meu pai esperando de braços abertos quando vim da Índia. É o amor que lhe dá este sentimento de “Cheguei. Estou em casa.”
Eu fiz o curso e tive uma experiência com o Kriya que pode ser chamada de uma experiência metafísica. A experiência concreta se traduziu no trabalho dentro de três semanas. Depois de fazer o curso eu conseguia processar os arquivos muito mais rápido. Arquivos nos quais eu demorava 4 horas antes, eu conseguia fazer em uma hora – o que aconteceu foi – haviam 4 advogados, e eu fazia 30 arquivos sozinha, e os outros talvez 10 ou 11. Eu resolvia os casos sem nem perceber.
Imediatamente depois eu compareci ao curso avançado, e foi mágico. Este simples sutra – “Mude sua respiração, mude a sua mente. Mude a sua mente, mude as suas emoções”, eu senti que se pudéssemos disseminar isso, o universo seria um lugar diferente. É inacreditável – respiração, mente e emoções estão relacionados.
Sua jornada para ser uma instrutora teve início no Reino Unido e logo a levou para a Índia. No entanto, ensinar foi um processo de aprendizado para ela – aprender a abandonar suas inibições, expandir seus limites, e a se aproximar de ser incondicional.
“Eu voei com Guruji para Bangalore. Pegamos os assentos da janela. Ele olhava para fora e dizia que Bangalore é um lugar muito lindo – jardins, o verde – você vai amar Bangalore. Eu fui, e vi que era tudo cimento, pelo menos não havia jardim. Eu era para ficar no Gyan Mandir. Eu peguei um quarto e, enquanto tentava me acomodar, Guruji me trocava de quarto. Ele me falava para dar aquele quarto para um visitante, e ir para outro quarto. Eu fiquei trocando de quarto interminavelmente, até que um dia, eu desisti e parei de tirar as coisas das malas, e então ele parou de pedir para trocar de quarto, e me mandou de Bangalore para Gujarat.
A série de cursos que Rajshree ensinou deste ponto em diante, em Gujarat, Bombay e Kolkata – estes cursos conectaram muitos jovens buscadores ao seu Guru. Estes buscadores hoje em dia são instrutores da Arte de Viver, que estando fazendo do universo um lugar melhor. É realmente uma benção quando os frutos de nossas ações crescem e se multiplicam diante dos nossos olhos, e trazem mais felicidade para o planeta do que poderíamos sonhar. Talvez esta seja a mágica de ser um instrumento de um Mestre.
‘No fim de 1989 ou no começo de 1990, eu cheguei, e em Setembro de 1995 ele me pediu para me mudar da Índia. Eu fui para Hong Kong, Japão, América do Sul, Trinidad. E então eu fui para os EUA e comecei sedes em algumas cidades lá, e continuei a viajar.
Quando a jornada é tão linda, fica-se imaginando se a jornada por si mesma não é o objetivo!

Fonte:http://www.artofliving.org/br-pt/rajshree-patel-como-encontrei-meu-guru

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