OS TRÊS GUNAS - ROBERT ADAMS

Os três Gunas - Robert Adams


"Existe uma coisa que vocês precisam sempre estar cientes, é a correta identificação. Estejam cientes que a natureza verdadeira de cada um de vocês é pura Consciência. Pura e inalterável Consciência. Não se vejam como corpos. Sei que existem infinitas razões para sentirem a identificação com seus corpos. Podem sentir medo, dor, stress, conflitos emocionais ou o que seja, mas aprendam a saltar sobre o reino aparente da matéria e realize que você é pura Consciência, a absoluta realidade.

Em outras palavras, identifique-se com a Fonte. (...) Se você continua morando em seu corpo, ou em seus problemas, e aquilo que parece ser real mas não é, lhe causará desilusões para que a realidade se apresente a você. Não importa o que apareça, seja coletivo seja individualmente, lembre-se sempre que você não é um fenômeno corpo-mente.

Tudo é Consciência. Só existe Consciência. Consciência conhece a si mesma através da forma e assim, Consciência pode se expressar. Assim, o corpo universal acontece no oceano da Consciência, o chamado EU SOU. A essência desse corpo universal é toda a criação. O Eu Sou realiza-se na criação, e a criação segue.

É por isso que o Jnani yogue se diz: "Tudo é o Self e EU SOU Isso!" Todo o Universo é o corpo do Sábio. 

Quando o EU SOU quer conhecer a si mesmo enquanto um ser individual, eis que surge o Self pessoal, ou o Eu penso. Então este Eu Sou se esquece da sua origem divina, e o sonho mortal se inicia. O Universo inteiro passa a ser visto como externo e apesar da sua onipresença, o indivíduo crê que é uma parte separada do Todo, crê que o mundo existe fora de si mesmo. Isso é chamado de sonho mortal. Neste sonho começa-se a dizer: "Eu estou feliz, eu estou doente, eu sou rico, eu sou pobre, eu sou isso, eu sou aquilo." E toda a sorte de ilusão é criada, assim como também toda sorte de prisões e dependências.

Isso se sucede de encarnação em encarnação, mas chega o momento de você começar a contemplar, a cogitar, começar a se maravilhar com a sua real natureza, com a sua origem. A realização é uma resposta que emerge da essência. Alguém que realizou a Verdade compreende que o mundo real é mera aparência, e está em constante transformação. Por este motivo, é impossível de se encontrar algo real no mundo exterior.

Através da meditação, através da divina lembrança se começa a voltar ao início, e a situação se reverte. Isto é feito inicialmente pela negação de tudo o que existe. Se livra de tudo o que seja ilusão, e se  faz isso pela negação. Nega-se o céu, a lua, estrelas, as árvores, a terra, se nega tudo. Depois se nega o próprio corpo e a mente.
Após praticar por várias encarnações, pode-se transcender ao corpo e a mente e recuperar a consciência EU SOU novamente. Se torna o corpo universal. 
Somos toda a criação, tudo mesmo acontece dentro de si mesmo e se compreende que a sua aparência é somente uma câmera, uma câmera de imagem em movimento. As imagens são projetadas como sendo a criação, mas nada mais são que projeções em Si mesmo. Seu corpo inclusive, sua mente inclusive é uma projeção no Self. Quando se alcança este ponto pode ser chamado de Jnani Yogueou Sábio.

Então, como se chega a este ponto?
Existem três tipos de pessoas que praticam o Advaita Vedanta. Os três tipos são os buscadores, os discípulos e os devotos. Veremos que estes três tipos são equivalentes aos três Gunas. Tamásicos, Rajásicos e Satívicos.

Tamas significa embotamento, inércia e se refere aos buscadores.
Rajásico é ação e se referem aos discípulos.
Satívico significa pureza e se referem aos devotos.

Agora, quando eu digo buscador é aquele ainda bloqueado, é uma qualidade tamásica pelo ponto de vista do Advaita. Mas mesmo os buscadores são muito avançados em comparação aos bilhões de pessoas neste planeta que ainda vivem em completa ilusão e ainda nem mesmo se tornaram buscadores. Logo, buscador é um estágio avançado. Embora o buscador tenha um ego enorme, eles correm atrás de professores e mais professores, lêem toneladas de livros, sempre procurando alguma coisa para si mesmos. Tudo gira em torno do "eu", "mim" e "meu". "Eu quero me tornar iluminado, o que posso fazer para alcançar isso neste encontro, o que ele tem para mim"...

Toda sua atenção é em torno de si mesmo. Ele vai de um mestre a outro, escutam falar de um mestre a vão, escutam sobre outro e também vão. Estão sempre buscando. Mas em realidade não estão indo a lugar nenhum. Isso pode perdurar milhares de encarnações. Milhares de encanações como buscadores, sempre olhando para si mesmos. Eles não conseguem se distanciar da própria mente. Encontram apenas mais e mais frustrações. Sempre se deparam com algo errado nas aulas. Comparam uma aula com a próxima, um professor com outro, tentam abandonar um ensinamento para se ligar a outro de outro professor e não se importam com nada mais. Até o momento em que o buscador se torna sincero na sua busca e finalmente se envolve com algum ensinamento, neste momento ele se torna um discípulo.

Um discípulo começa se estabelecendo, e esta é uma qualidade rajásica. Ele começa a agir de acordo com aquilo que vê. Ele troca todos os mestres por um só mestre, e segue a este mestre mais que qualquer outro. Age de acordo com o que o mestre disse, mas ainda permanece externo. Lêem certos livros que foram indicados pelo mestre, mas ainda não estão muito convictos dos ensinamentos, ainda estão interessados em si mesmos, mas já permanecem próximo a um só mestre. Então, se alguém realmente bom se aproxima e lhe fala, ele escuta suas palavras, mas retorna ao seu único mestre.

Ainda está preocupado consigo mesmo. Ainda são encrenqueiros, bisbilhoteiros, choram muito. Mas quando as coisas se acalmam eles reconhecem que extrapolaram e se desculpam. Se ele permanece sendo sincero ele evolui enquanto devoto. 
Agora como devoto ele tem um longo caminho. O devoto não pensa muito sobre si mesmo, ele já esquece sobre si mesmo. Ele nem se preocupa em se tornar auto-realizado. Não existe desejo de tornar-se liberto. Nem tem muitos desejos em verdade. Ele age de forma espontânea  e vive um dia de cada vez. Ele está completamente entregue ao seu mestre. Ele não tem vida própria, e ama seu mestre dia e noite. Não cabem idéias negativas em sua mente.

Um devoto não julga. Um devoto compreende que o mestre possui uma consciência diferente da sua, e que muitas vezes ele não será compreendido, mas o devoto não se importa com isso também. São os devotos que mantém e sustentam o mestre. Eles cuidam do mestre como de a si mesmos. Aquilo que fazem para si mesmos, fazem para o mestre. Os devotos são o sangue vivo do mestre e isso é o processo de libertação do devoto.

A cada momento a natureza se eleva. Ramana Maharshi, Ramakrisna, Shankara, e muitos outros foram devotos que se tornaram libertos mas nunca se preocuparam com isso. Sua individualidade se foi. Entregaram completamente seu "eu" ao seus mestres. Todas as brigas, julgamentos, comparações são abandonadas.

Porque resolvi compartilhar isto com vocês hoje? Porque é tempo da maioria de vocês compreender a verdade e se lembrar dela. Para quê você estão aqui realmente? Vocês estão aqui para realizar que não são o corpo, nem a mente. Isto é a realidade absoluta, a de que vocês são pura Consciência.

Como posso realizar isso se vocês tem outras coisas em mente? Se estão pensando sobre o mundo e as condições temporais? O mundo sempre tem estado aqui, e as coisas do mundo seguem novamente, novamente e novamente. Tudo acontece no mundo por eras e eras. (...)
Reflita porque você está aqui? O que você realmente quer? O que realmente está procurando? Qual a sua real motivação?

Você e eu conhecemos muitos buscadores e discípulos que simplesmente vieram aqui para reforçar seu ego. Quando o ego é alimentado tudo aquilo que mostramos aqui se perde. (...)
Sua real natureza é alegria e harmonia. Você não é um fenômeno da mente, que permanece pensando sobre estas coisas. Pensar sobre iluminação também não irá ajudar. Mas dar um salto além da mente, isso sim torna a iluminação real.

É necessário haja uma completa entrega do ego, da sua mente, seu corpo e sua vida. A entrega será ao seu verdadeiro Self. O Self que é onipresente e onisciente. Só existe o Self e você é Ele.(...)

O mestre não é qualquer personalidade. O mestre é onipresença, absoluta realidade. O mestre é a sua real natureza. O real Self é o Mestre. Existe apenas um Mestre, e não este mestre aquele mestre. (...) 
Se você está buscando um mestre enquanto um ser humano, você terá problemas porque você irá julgar o ser humano de acordo com seus próprios padrões. Você irá criar o ser humano de acordo com sua própria imagem. (...) No instante em que você abandona essas comparações, faltas, julgamentos, e em encontrar algo errado, neste momento você se torna um devoto, e tudo se encaixa, tudo fica bem em você.

O corpo nada tem a ver com o mestre. Aparências são puro nada para o mestre. Quando uso o termo mestre, me refiro ao seu verdadeiro Self. Em outras palavras, o seu eu-pensamento, sua personalidade, nada tem a ver com aquilo que você realmente é. Não existe self pessoal na verdade. Não existe um fazedor na verdade. Não existe ninguém julgando nada em verdade. A Verdade significa silencio. Nenhum pensamento, nem avaliação, nem tentativas de compreender, existe apenas a entrega, a entrega total e a aceitação. (...)

O que estou tentando dizer a vocês é que não existe nada com que se preocupar. Nada com que se fixar. Nada contra qual reagir. Sua tarefa é recordar que você não é o corpo, nem a mente que pensa, e pensa e pensa.
Comece observando sua mente pensante. Seja um observador dos pensamentos, e se torne uma testemunha de todos os acontecimentos externos, porque cada um deles te lembrará que cada pensamento é apenas uma projeção da sua mente. Quando você para de reagir com as projeções e retoma a sua dimensão verdadeira, o que acontece é um estado abençoado.

Esta é a dimensão do devoto.
O devoto não tenta se destacar, julgar, competir, ou qualquer outra coisa. Ele deixa acontecer. Let go of it! Não existe mais meditação, nem práticas e processos para se ir além dos pensamentos. Não existe mais encarnação nem karma. Isso tudo é puro nada.

Tudo isso são criações da mente, e acabam por nos escravizar.
Se em um sonho você encontra um mestre Zen que irá te ensinar uma nova técnica de meditação, várias práticas, e você deverá praticar por muitos anos. Se neste momento você acorda, você vê que nada daquilo realmente aconteceu, e que o mestre nunca lhe ensinou nada. Aquilo foi só uma armadilha. (...).

É isso que digo a vocês: Acordem! É isso! Tudo isso é apenas um sonho! E estou dizendo tudo isso para que despertem! Aqueles que compreenderem acordarão agora!""
Robert Adams* em Satsang - Collect Works


File:Robert Adams - Los Angeles - early 1990s.jpg
*Robert Adams (21 de janeiro de 1928 - 02 de março de 1997) foi um americano professor de Advaita . Em sua adolescência, ele era um devoto de Sri Ramana Maharshi em Tiruvannamalai, India. Mais tarde na vida Robert Adams realizada satsang com um pequeno grupo de devotos na Califórnia, EUA. Ele principalmente defendia o caminho da Jñana Yoga , com ênfase sobre a prática da auto-investigação.
Ensinamentos de Robert Adams não foram tão bem conhecidos em sua vida, mas já foram amplamente divulgados entre os que investigam a filosofia de Advaita e os devotos ocidentais de Bhagavan Sri Ramana Maharshi.Um livro de seus ensinamentos, Silencio do Coração: Diálogos com Robert Adams, foi publicado em 1999.Fonte:Wikipedia.

Fonte:http://ventosdepaz.blogspot.com.br/